Arquivo da categoria: Lapa Girl por Bruna Camargos

Um pedaço da Lapa que escolhi.

“Pequenas coisas associadas ao que traz um bom viver (ser)”. Cruz gamada, elo encontrado em muitas culturas em tempos diferentes, dos índios Hopi aos Astecas, dos Celtas aos Budistas, dos Gregos aos Hindus.

Aqui encontraste o caminho, felicidade, prazer e boa sorte, encontraste a estetica. Mais uma dose no copo colorido…Alô…Alô…Alô …Convento de Santa Teresa via Lapa, o bonde vai partir.

O elo hoje é meu, 2.000 peças, compõem, ligam, diferenciam, um pedaço da Lapa que escolhi.

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Meu Kaleidoscópio

“Se não fosse os vendedores de rua a noite na lapa estaria perdida”, essa é a frase que gravei de toda aquela história.
Na faculdade uma amiga me contará como tinha sido à noite de sexta-feira, entusiasmada embalava o conto.  Boate, música, bebida, dançando até o chão, banheiro com temática medieval…Na real a diversão foi aturada por 3 horas depois disso a grana curta impediu a galera de continuar lubrificando a garganta. A noite termina na caixa de isopor em baixo dos arcos.
Muitas noites terminam ou começam no bom e velho isopor que correram o risco de extinção, esse ritual faz parte da folclórica noite na lapa.
– Lembra do gramado? Aquele bem perto dos arcos?
Aquela grama era ponto de encontro, espaço dividido entre punks, prostitutas, mendigos, vendedores e pequenos burgueses, era o fundamento ou uma breve passagem.
 Em seu lugar hoje grandes tapumes impedem a boa e velha parada, promessas de mudanças retiram as pessoas como personagens e dão lugar ao concreto.
Aquele mesmo isopor que fez do beco do rato a sensação das quartas-feiras, agora não circula mais. Cobrança de ingressos, visão bloqueada por engradados, confinamento, não se trata de puro saudosismo, mas de uma lamentação, a onda que era coletiva, que fazia da rua, do beco, sustento e diversão, agora limita o encontro a uma entrada, a sufocantes paredes.
 
“Se não fosse os vendedores de rua a noite na lapa estaria perdida”, fadadas ao encontro programado e ao dinheiro, R$ 5,00 que garantiam uma noite, agora não se garante com R$ 50,00.

Da Lapa a Londres

As ruas do centro da cidade sempre me interessaram por serem uma mescla de histórias vividas com um impulso fulgurante de modernização, esses impulsos aparecem como ciclos que me prendem a Lapa. Por vezes passo tardes inteiras a olhar o trânsito frenético na Rua do Lavradio, advogados que entram e saem do tribunal, taxistas enlouquecidos na disputa do próximo cliente, funcionários da Petrobras correndo para não perder o horário do almoço, carros entrando e saindo dos estacionamentos, vendedores com seu Coco Express e doces que prometem uma pausa relaxante e energia para terminar o dia. Nos fins de semana sou capaz de encontrar Martim Correa de Sá, D. Fernando Lancastro, Antônio de Menezes, Aires de Saldanha de Albuquerque e Gomes Freire a olhar o grande projeto arquitetônico de suas vidas ou mesmo quilombolas a quebrar alguns canos. Caminhando hoje entre o cruzamento da Lavradio com a República do Chile um ônibus chamava atenção entre os demais, por um instante fui levada a Londres, com aqueles ônibus de dois andares, o último ao ar livre, a cor vermelha e as letras na lateral que formavam a palavra Breda gritavam! Não mais que a placa defronte que dizia turismo R$ 30,00. Hoje realmente era o dia turístico pela lapa, um daqueles jeep tour cheios de “homem branco” transitavam em direção a algum ponto da cidade. Em frente ao bar Ernesto encontrei mais um grupo que fazia o percurso a pé, com um guia que em português caminhava contando historias sobre desbravamentos, descobridores, construções e até madame satã resolveu aparecer. Estamos passando por uma nova colonização? Quem desta vez é o colonizador? Qual será a cara do homem branco que irá cria a nova civilização? Meu dia termina com um vídeo no melhor estilo comercial das descobertas dá uma conferida:

Parado na Esquina

Parada na esquina, as telas gigantes da Lapa transformam paredes e postes em um grande devir de linhas e contornos sinuantes que na Joaquim ecoam música. Memoro um grande espetáculo previsto por Bowie… “A máquina solar está vindo, e nós teremos uma festa”. Paro e tento novamente, num novo olhar o cavaquinho projeta-se em 3D e o som a ecoar das notas de samba, misturam-se ao “parado na esquina”, pessoas dançam, ali na rua, um ir e vir frenético…sigo…Na Teotônio Regadas, mais um grafite…Eu estou indo de trem em trem nesta pequena cidade…Por toda a minha vida, todas as pernas e asas ficaram encolhidas no gelo…E agora Lapa?! Com seu calor pulsante, cifras de mim estão se espalhando e se escrevendo no globo terrestre youtubeano!

Lapa Girl por Bruna Camargos

Quando nome sou Lapa… Girl, quando barulho sou música, quando canto sou fala.

Vindo do ponto mais chic…Do ser na veia, o carioca, o fluminense…Sou o que quero ser…Numa eterna fome de viver…Que me faz sentido de Nova Iguaçu a Lapa…Que no metrô me repito…Me comunico…Eternamente Lapa…Do mercado nota dez na glória, chego ao Campo de Santana. Pergunto ao vendedor o que é ser lapa… O que é ser Rua… Monografia é só um pretexto para o que na verdade quer saber… De quem é esse território?…De quem é… Eu to aqui! Você talvez esteja… Talvez também seja você… Quando noite sou escuro… Quando claro… Sou dia… Quando gira é o mundo… Eu sou Lapa…Na rua, na calçada, no Gerson, no 40º, Boate, Boutique, Boteco, Beco…Me espalho…Do espaço fiz o que eu sou…De cada um o que eu não sou…Complexo não! Simples assim… Lapa!