Arquivo mensal: setembro 2011

Sugestões

Lapa anoitecendo, ainda não decidi o que vou fazer à noite… Tô agora navegando nuns blogs que curto… Você costuma ler algum? Aceito sugestões de blogs, deixa aí nos comentários… Sugestões de lugares para ir durante a noite também. Mas eles não podem ser tão longe que precise pegar metrô, sair da Lapa não faz minha cabeça… Bem, enquanto isso, vou comendo um pão com queijo branco esperando dar hora de sair. Talvez nos encontremos por aí…

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TEMPO DE FLORES E VENDEDORES

Acordei cansada e feliz. A noite de ontem foi típica e atípica como são as noites de Jazz na Lapa – bem, agora não acontecem mais na Lapa propriamente dito; o som ta rolando agora próximo ao IFCS da UFRJ. Ainda meio tonta com tantas lembranças da noite anterior, me levanto e vou lavar o rosto. Escovar os dentes e tomar um gole de café olhando o lindo dia lá fora. Janelas abertas para deixar o sol destes primeiros dias de primavera entrar no quarto. Café quentinho feito no coador. Dois, três goles olhando descompromissadamente o tempo. Tempo, tempo só o que eu quero, todo o tempo e o tenho, não tendo. Rsss… Opa! Falando em tempo, ponteiro do relógio girou apressadamente e levou boa parte da manhã, ainda vou ler uns e-mails, e depois me concentrar em um certo trabalho sobre vendedores de rua… Hoje ainda preciso passar na Faculdade e pegar uma Xerox. Haja tempo!

SOBRE PRESSÃO

As quartas-feiras para mim serão sempre brancas, neutras no meio da semana precisa e incorreta, tenho um dia agitadíssimo num corre corre desacelerado ,corro atrás de pequenos bicos mesmo em períodos curtos para que eu possa me dedicar a minha monografia dos ambulantes da lapa, de dia ralo na boutique e a noite faço carão de door na boate na esplendorosa rua do Lavradio, que nos dias de quartas –feiras parece uma babel de tantos gringos , tenho que rebolar para entender , mas como a língua universal é o inglês , me safo bem … graças as músicas do David Bowie que tenho decoradas na minha cabeça … affe nesse dia estou sob pressão!

Parado na Esquina

Parada na esquina, as telas gigantes da Lapa transformam paredes e postes em um grande devir de linhas e contornos sinuantes que na Joaquim ecoam música. Memoro um grande espetáculo previsto por Bowie… “A máquina solar está vindo, e nós teremos uma festa”. Paro e tento novamente, num novo olhar o cavaquinho projeta-se em 3D e o som a ecoar das notas de samba, misturam-se ao “parado na esquina”, pessoas dançam, ali na rua, um ir e vir frenético…sigo…Na Teotônio Regadas, mais um grafite…Eu estou indo de trem em trem nesta pequena cidade…Por toda a minha vida, todas as pernas e asas ficaram encolhidas no gelo…E agora Lapa?! Com seu calor pulsante, cifras de mim estão se espalhando e se escrevendo no globo terrestre youtubeano!

O mundo é o que está fora do ovo

o mundo é o que está fora do ovo.

nós somos o pinto dentro do ovo,

que quando sai do ovo:

só segue o mais velho

e não faz nada de novo.

por isso eu resolvi voar, do Ponto Chique à Lapa.

aqui fiz meu ninho, mas não esqueci minha casa,

meus pais, minha família, alguns salmos.

segunda-feira, fim de tarde:

o satélite da minha internet

novamente fora do ar.

resolvi sair do ovo, de novo:

fui pra rua comer, beber, escutar, observar.

é necessário um silenciador de ouvido

para proteger os tímpanos dos veículos

histéricos.

meus fones de ouvido, sem player, só o fio,

não ajudam nessas horas,

mas no subway é o que me faz ouvir estórias.

nas mesas ao lado:

meninas falam dos namorados,

meninos falam dos casos,

mal-encarados falam de assaltos,

engraçados contam piadas.

uma eu não entendo, caio na gargalhada:

“HAHAHAHAHAHAHA!”.

as pessoas me olham como se eu estivesse

com um raio pintado no rosto e com os

fones como disfarce para escutar a todos.

com medo de eu não ser pinto,

de eu ser papagaio e espalhar pro povo.

volto pra casa, pro ovo.

Domingo!

Acordei mais cedo do que planejei acordar: o sono acabou. Dei uma entrada no site da universidade e lá estava o lembrete para o burocrático ritual do semestre para renovar a bolsa do PROUNI. Muito chato isso para pensar num domingo, mais chato ainda lembrar que hoje não há a menor possibilidade de pipoca em frente à escola de música.

Pela janela vejo a Riachuelo com a Lavradio: uma esquina vazia. Do lado no YouTube um comercial dizia “Seus cabelos mais fortes em uma semana”, o que me fez partir para um ritual bem mais interessante – David Bowie e ampolas de vitamina A! David carregava enquanto eu melecava o cabelo com creme de massagem + ampola de vitamina A. Cantei, naveguei, dancei (não necessariamente nessa ordem!). Encontrei uma pérola, um vídeo do Placebo com o David Bowie, a música não saiu mais da minha cabeça: Without you I’m nothing… Placebo. Nome bacana pra uma banda, talvez eu pesquise algo sobre ela.

O que seria o meu placebo? Preciso pensar mais sobre isso.

Lapa Girl por Ana Paula da Silva

Uso roupas coloridas ou com brilho. Olhos pintados de vermelho para contrastar com a pele negra, branca, vermelha, tanto faz. Meu olhar é suave quase melancólico. Sexo, idade, religião, time… Coisas que não me importam para viver.

Dizem que sou um pierrô urbano.

Sou homem, mulher, as coisas, a Lapa.

Transito por todos os lados: becos e vielas, botecos à casa de shows, de prostitutas à vendedores ambulantes. Vou aonde meus interesses me levam e sou esses lados porque aumento as minhas possibilidades de ser.

No lugar dos moinhos de vento, eu luto pela vida – minha alusão e utopia ao Heroísmo de Quixote– livro que li adolescente.

Espalho fotos de pessoas desconhecidas pela Lapa. Isso está tomando uma repercussão enorme. Assino Lapa Girl.

Lapa Girl por Allan Reis

Não vou escrever quem sou eu aqui nesse texto. Tente descobrir por conta própria, como eu mesma faria. Colha as informações, investigue. Gosto disso… Não é à toa que logo me formo em Jornalismo. Acho que tenho vocação pra isso, sabe? Quando algo me chama atenção vou fundo tentando entender. Assim como quando vim morar na Lapa. Inicialmente, eu tinha vindo para estudar “na” Lapa. Mas agora eu estudo “a” Lapa. As pessoas, as esquinas, os becos, os dias, as noites… a Lapa. Nela acontece de tudo, nem dá pra escrever agora. Aqui eu tenho vários gostos, várias faces, várias identidades. Por isso não dá pra me apresentar só nesse texto… Mas ele é um começo. E pra começar vou dizer meu nome. Sou Lapa Girl.

Lapa Girl por Luís Borges

Sou quem deixo as janelas abertas para o sol entrar;

Sou quem lê jornais expostos em bancas de revistas;

Jornais, jornalista, jornalismo. É e não sou;

Sou da curiosidade e da xeretice das coisas do jazz, dos vendedores, gostos, sabores, amores, dores…

Sou garota, garoto, Boys and Girl in selaron;

Sou da baixada fluminense a Lapa;

Interneteira, internauta, internetês, surfista de ondas virtuais;

Sou imitação de vida, vida em arte e cores, formas e lugares, pessoas, minha vida em meio aos arcos.

Menina de olhos pintados e cabelos vitaminados, de quinta às quintas fazendo a feira, á beira

 Sou a Lapa Girl e você?

Lapa Girl por Toni Araujo

A vida é um soco nos olhos

roco de capa troca de peles, tenho fome, mas fome de viver

Sempre caminhei em trilhos da baixada fluminense aos arcos da lapa

Lapiana sou em demasiadas palavras,  pesquiso,instigo o meu critico

Metamorfoseado paro nas esquinas em busca do algo crível

Dos buxixos dos agitos das poeiras das ruas lapada, hidrato meu cabelo com ajuda de uma amiga a inabalável vitamina A, protege e reanima!

Sou assim um misto de protetora e animadora Sob Pressão da vida

Percorro todos os pontos dos metrôs, mas acabo de novo na lapa.

Imito-me e te imito ,copio ,xeroco plageio. Eu, você e todos nós…

Bowie em meu coração, a mim camaleônica LAPA GIRL.